03/03/2010
CURITIBA
Mobilizações continuam para resolver pendências e retorno à greve não está descartado
Os guardas municipais aprovaram nesta terça-feira (2), por unanimidade, a suspensão da greve. A deliberação foi tomada em assembleia, após reunião de negociação na qual representantes da prefeitura ofereceram uma nova proposta com piso salarial de R$ 850, a partir de abril deste ano. O aumento de 19,57% ainda está longe do exigido pela categoria (R$ 1,3 mil), mas representa um avanço se comparado à primeira proposta apresentada de 6%.
Na avaliação da diretoria do Sismuc o resultado da greve deve ser comemorado, mas esse seria ainda o primeiro passo para as questões ainda pendentes da pauta de reivindicações entregue em novembro do ano passado. A principal conquista da categoria não estaria simplesmente nas questões salariais alcançadas, mas principalmente na organização. A união dos guardas em torno das reivindicações e a disciplina deles em relação à greve teriam demonstrado uma mudança significativa no perfil da categoria.
Plano de cargos
Algumas questões, no entanto, ficaram pendentes e devem ser resolvidas em novas reuniões. Conforme compromisso assumido pela administração, um novo plano de cargos, carreiras e salários será elaborado, desta vez com a participação de uma comissão de representantes dos guardas municipais. As reuniões devem ocorrer a partir de abril.
Dias parados
Também ficou definido que, a princípio, os guardas não terão descontos nos salários até o próximo dia 19, em função dos dias parados. Os membros da comissão de negociação dos guardas reafirmaram, por diversas vezes, durante a negociação, que não existem determinações legais para que a prefeitura execute os descontos. Como forma de compensar os dias parados, foi proposto pelos trabalhadores a reposição de horas extras. Sobre isso ainda não há acordo. Essa questão será discutida em nova reunião prevista para o dia 12 de março.
Quadro especial
Por fim, um dos pontos que continua pendente e que ainda preocupa a categoria é a situação dos 179 guardas do chamado quadro especial. Este grupo, com pisos salariais abaixo dos R$ 600, não estão contemplados pela proposta apresentada pela prefeitura. Durante a reunião, o secretário Paulo Schimidt foi cobrado sobre isso, mas foi irredutível em manter este grupo de fora. Como também não foi possível chegar a um acordo, assegurou-se que a situação destes guardas será discutida também em reunião específica no mês de abril.
Na assembleia, por diversas vezes os guardas questionaram a posição da prefeitura em relação aos “especiais” e cobrou-se isonomia, ou seja, que o direito de aumento salarial seja estendido a todos. Por esse motivo, a decisão de suspensão da greve está acompanhada da manutenção de estado de greve. Ou seja, em caso de necessidade os guardas podem voltar à greve para, dentre outras coisas, pressionar a negociação das questões pendentes.
Retomando
Foram nove dias de greve e um mês de vigília promovida pelo Sismuc e por cerca de 1,5 mil guardas municipais. Antes disso, mobilizações com panfletagens, passeatas e debates públicos fizeram parte do calendário de ações coletivas. A indignação da categoria tomou corpo com a morte de quatro guardas no ano passado. Cansados das condições de risco da profissão e da baixa remuneração, os guardas iniciaram o maior movimento já realizado pela categoria desde a sua existência. A última greve havia acontecido em 1994, quando as condições de trabalho eram o tema principal da pauta de reivindicações.
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