24/02/2010
GREVE
A chuva não esfriou os ânimos, tampouco a vontade de lutar dos guardas municipais de Curitiba. No terceiro dia de greve, a categoria se concentrou mais uma vez na Praça Tiradentes, no centro da capital, onde aconteceu um apitaço. Por volta do meio-dia, os guardas saíram em passeata até o Edifício Delta, sede da Secretaria de Recursos Humanos. À tarde, a movimentação foi em frente à Prefeitura, no Centro Cívico.
A nova proposta apresentada na terça-feira [23] pelos secretários Paulo Schimidt [recursos humanos] e Rui Hara [governo] frustrou a categoria: apenas 8% de aumento, mais a reposição da inflação. Significa 2% a mais do que já havia sido proposto, porém, a segunda parcela do reajuste, prevista para 2011, cairia de 6% para 4%. Os guardas rejeitaram a contraproposta em assembleia realizada no final da tarde.
A Guarda Municipal reivindica piso salarial de R$ 1,3 mil, mais o adicional de risco. Atualmente a remuneração base é de R$ 710,00 mais a gratificação de 50%, o que representa um salário de R$ 1.066,00. Ainda durante a reunião, a comissão de representação dos trabalhadores propôs um reajuste parcelado em três vezes para atingir o salário-base pleiteado. A primeira parcela seria de 15% em abril deste ano, 20% em abril do ano que vem e mais 20% em abril de 2012, além da correção da inflação. Os secretários receberam a proposta, mas demonstraram intransigência. Uma nova reunião de negociação é aguardada para a tarde desta quarta-feira.
Liminar
A liminar que proíbe a greve dos guardas de Curitiba, expedida pelo juiz Roger Vinicius Pires de Camargo Oliveira, da 3ª. Vara da Fazenda Pública, estipula multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão. A categoria não se intimidou e manteve a greve. A assessoria jurídica do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba [Sismuc] recorreu da decisão. O recurso deve ser julgado na tarde desta quarta-feira [24], no Tribunal de Justiça do Paraná.
Não quero ser defunto!
Mais segurança para os guardas municipais também é um dos eixos da greve. Em 2009, quatro trabalhadores morreram em apenas cinco meses por motivos relacionados à profissão. Esses fatos expuseram um problema greve no serviço público municipal: o risco do trabalho potencializado pela falta de condições adequadas para o exercício profissional.
Em novembro do ano passado, a categoria realizou um dia de paralisação em protesto contra as mortes de companheiros de trabalho. A palavra de ordem era “Perca um dia, mas não perca a vida!”.
CUT na luta
Questionada sobre a participação da CUT na greve, a presidente do Sismuc, Marcela Alves Bomfim, qualificou a intervenção da Central como positiva. “A CUT tem nos apoiado com toda a infraestrutura possível. O presidente da CUT-PR esteve em nossa mobilização e declarou total apoio à nossa greve”, destacou.
Além da CUT, diversos sindicatos filiados têm auxiliado os guardas na paralisação.
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Vereadora Professora Josete
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